A pedido do FChaves, vou comentar um pouco a respeito das ordens de stop. Este não será um artigo muito teórico, mas apenas um relato pessoal do uso deste mecanismo de defesa. A participação dos 2 ou 3 leitores deste blog nos comentários será importante, pois como vocês verão, eu ainda não achei a melhor forma de trabalhar com estas ordens e a troca de opiniões tem muito a agregar.
Para quem não conhece esta ferramenta, sugiro a leitura do bom texto do Conexão Dinheiro. Ali tem a apresentação das ordens de stop, stop móvel e stop gain de forma bem didática. Muitas corretoras também possuem textos explicativos sobre estas ordens em seus home brokers.
Acredito que estas ordens são mais importantes para quem opera no curto prazo. Quem trabalha com um horizonte mais longo pode acompanhar as oscilações do mercado com um pouco mais de calma, baseando-se em resultados de períodos mais longos, como os gráficos semanais ou mensais. Para estes investidores, os pequenos percentuais na oscilação do dia a dia não fazem tanta diferença. A margem para reagir às oscilações é bem maior, dando tempo ao investidor de colocar uma ordem manualmente, sem comprometer a estratégia. Outras ferramentas podem ser mais interessantes para proteger seus ganhos, como o lançamento de opções ou o aluguel de ações.
Para aqueles que, como eu, preferem operar em prazos mais curtos, estas ordens dão muita tranqüilidade para operar. Senti esta diferença quando deixei de operar pelo Bradesco (que não oferece estes recursos) e passei a operar pelo Banif, utilizando as Ordens de Stop Móveis. Fiz esta mudança há pouco mais de 3 meses e estou muito satisfeito. Nessa turbulência toda do mês de janeiro, pude consultar o andamento dos papéis apenas duas ou três vezes durante o dia, sem me preocupar em ter perdido muito dinheiro. (Quem me conhece sabe que mesmo se eu tivesse perdido 100% do meu dinheiro, não seria tanta coisa assim. Mas vamos nos preocupar com os percentuais.)
Nestes 3 meses eu ainda não consegui encontrar uma boa margem de tolerância às perdas. Comecei tolerando 2,5% e já ajustei para 4%. Mas tenho a impressão que não existe um número mágico para isto. Para os papéis com menor volatilidade, como PETR4, VALE5 e outros blues chips, acredito que 4% é uma boa margem, mas para os papéis mais voláteis, como CYRE3 e GFSA3 e vários outros small caps, uma margem um pouco maior vai evitar que uma variação normal durante o dia me faça perder um bom negócio. Nestes casos, possivelmente um número por volta de 6% seja mais adequado ao meu caso.
Algumas vezes já fiquei chupando dedo ao ver minha ordem ser executada praticamente na mínima do dia e logo em seguida o papel voltar a se recuperar. Apesar disto, hoje não tenho mais coragem de fazer uma operação e não deixar uma ordem de stop já engatilhada.
Ainda não utilizei as ordens de Stop Gain. Até então elas nunca fizeram muito sentido para mim. Afinal, quem quer parar de ganhar dinheiro quando uma ação está subindo? Neste caso, o 2º Grande Axioma de Zurique pode nos dizer muita coisa. Temos que aprender a controlar a ganância.
Como neste período turbulento eu tenho preferido as operações mais curtas, talvez fixar um objetivo seja mais razoável. Neste ano fiz 4 operações. Em todas elas a venda aconteceu em D+1. Em todas elas a venda foi automática por ter atingido meu stop loss móvel (3 operações geraram lucro e uma gerou prejuízo). Em todas elas, se eu tivesse controlado a ganância, eu teria ganhado +3% em relação ao meu resultado final. Percebam que estou falando de 3% em um dia.
Da mesma forma que a margem do stop loss depende da volatilidade da ação, acredito que o stop gain também deve levar em consideração este fator. Não existe receita de bolo. Não há fórmula mágica. O jeito é ir se adequando a cada situação, sem perder de vista a estratégia principal.
Quem sabe daqui a 3 meses eu escreva outro texto, de preferência narrando as grandes benesses das ordens de stop gain em minhas operações. Se alguém já utilizar estas ordens por aqui, favor se manifestar nos comentários!