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terça-feira, 15 de abril de 2008

Erro no cálculo do P/LPA da Hypermarcas (HYPE3)

O leitor Reativo percebeu um erro em minha análise do prospecto da Hypermarcas, no momento do cálculo do P/LPA.

Na análise eu havia considerado apenas a quantidade de ações ofertadas (35.801.080) ao invés da quantidade total de ações da empresa, disponível na página 42 do prospecto: 158.658.690.

Então, o novo cálculo fica assim:

O LPA é de 0,37 por ação. Considerando o meio da faixa estimada (22,50), chegamos a um P/LPA de 60,81. Com isto, o P/LPA do papel ficará bem acima da média do IBOV que foi calculado ontem em 36,8 pelo Lafis.

Os demais pontos permanecem inalterados.

Peço desculpas a todos pelo erro e agradeço ao Reativo por me chamar a atenção para o problema.

domingo, 6 de abril de 2008

IPO da Hypermarcas (HYPE3)

Na sexta-feira começou o período de reservas do IPO da Hypermercas. Para quem não conhece, recomendo a leitura de uma matéria recente da Revista Exame.

Talvez muitas pessoas nunca tenham ouvidor falar na Hypermarcas, mas certamente já ouviram falar em Assolan, Doril, Estomazil, Melhoral, Lactopurga, Gelol, Engov, Biotônico Fontoura, nos Adoçantes Finn e Zero Call, nos produtos Monange e Cenoura & Bronze e cosméticos Eh!. Ao todo, são mais de 50 marcas abrigadas sob o guarda chuva da Hypermarcas.

O período de reservas vai até o dia 15/04 e as ações começarão a ser negociadas no dia 18/04. O valor mínimo para reserva é de R$ 3.000,00 e o máximo de R$ 300.000,00. A faixa de preço estimada para a ação está entre R$ 20,50 e R$ 24,50.

Um item importante neste IPO é que todo o dinheiro captado será utilizado na própria empresa. Na página 84 do prospecto eles informam que 60% do valor será utilizado na aquisição de novas empresas, ativos e marcas e os demais 40% no lançamento de novos produtos e marketing. Ou seja, o objetivo do IPO é alavancar o crescimento da empresa e não colocar dinheiro no bolso dos controladores. O mercado costuma ver com bons olhos este tipo de oferta.

É claro que isto não é o fator determinante para a participação em um IPO. A vida financeira da instituição é mais importante que isto. Então vou colocar aqui minhas impressões a respeito do balanço da empresa:

  1. O crescimento da receita em 2006 foi pequeno em relação ao ano anterior e o resultado neste ano foi negativo. Já em 2007, tanto a receita como o lucro cresceram fortemente em relação ao ano anterior. Em 2007 a relação do Lucro Líquido / Receita Líquida ficou no mesmo patamar de 2005, por volta de 7%. (Ver página 25 do prospecto).
  2. Considerando o Lucro Líquido de 2007, em R$ 58,833 milhões, e a quantidade de ações ofertadas, 35.801.080, o LPA fica em 1,64. Considerando o meio da faixa estimada para o preço da ação, chegamos a um P/LPA de 13,71. Bem abaixo do P/LPA médio do IBOV, atualmente em 35,8, de acordo com o Lafis.
  3. O primeiro dia de negociações é uma sexta-feira. A segunda feira seguinte, dia 21/04, é um feriado. Para quem opera no curto prazo, isto pode fazer diferença. Eu mesmo não gosto de estar comprado em um feriado brasileiro com bolsa nos EUA operando. (Ver página 50 do prospecto).
  4. A empresa possui concorrentes de peso, como Unilever e Procter & Gamble. (Ver página 72 do prospecto).
  5. Valor Patrimonial da Ação para os novos acionistas será de R$ 13,29. (Ver página 87 do prospecto). Gerando um P/VPA de 1,69. O valor é baixo em comparação com outros papéis do setor de Consumo e Varejo. Por exemplo, as ações da Ambev possuem P/VPA em 4,93 e a Souza Cruz em 8,92. A ação que mais se aproxima do segmento da Hypermarcas é a Bombril, classificada no Setor Industrial, mas ela possui um VPA negativo.

Não sou nenhum especialista em análise de balanços e de prospectos, portanto posso ter cometido algum engano ou ter deixado passar alguma informação importante. Aguardo críticas ou novas análises através dos comentários. Quem se interessar, o prospecto pode ser obtido no site do Itautrade (mesmo para quem não possui conta) ou em qualquer outra corretora.

Por enquanto, minha percepção é ligeiramente positiva para este IPO. Mas só vou decidir o que fazer no dia 15 por causa desta instabilidade generalizada. Se o ambiente desta última semana for mantido, devo fazer minha reserva.

Só nos resta esperar que este IPO seja mais lembrado pelo Biotônico Fontoura do que pelo Doril, Engov e Estomazil...

PS - Atenção: Este cálculo está errado. Veja correção neste link.

terça-feira, 15 de janeiro de 2008

Artigo do Infomoney - Estratégia de entrar em IPOs e vender na estréia foi vitoriosa em 2007?

O Portal Exame noticiou hoje que a empresa Nutriplant será a primeira a realizar um IPO em 2008.

Na contramão dos grandes IPOs que marcaram o fim de 2007, a empresa será listada na BOVESPA Mais, um segmento voltado para empresas que pequeno e médio porte.

Caso as ações sejam precificadas no teto das estimativas, a empresa levantará menos de R$ 40 milhões. Quase nada, se comparado aos mais de R$ 5 bilhões da BOVESPA Holding e da BM&F.

No meio de tanta turbulência, quem se arrisca? O prospecto ainda não foi divulgado, portanto não é possível obter informações mais detalhadas a respeito desta oferta.

De toda forma, aproveito para recuperar uma matéria publicada no Infomoney no final do ano questionando a estratégia de marcar presença em todos os IPO's. No fim das contas, valeu a pena participar dos IPO's. Na média, o rendimento foi de 4,8% no final do primeiro dia de negociação.

Nada mal, mas prefiro continuar sendo bem seletivo para participar dos IPO's. Ainda mais neste período turbulento, onde os investidores estrangeiros estão menos tolerantes a riscos e com os novos mecanismos anti-flipping adotado em alguns casos.

Vamos ao artigo!

Estratégia de entrar em IPOs e vender na estréia foi vitoriosa em 2007? Por: Juliana Pall Farias

Quem gosta de novas opções no mercado acionário não pôde reclamar de 2007. No total, o ano contou com 64 IPOs (Initial Public Offering), distribuídos entre os mais variados setores.

Uma estratégia muito utilizada pelos investidores com o perfil de curto prazo foi entrar nestas ofertas e vender as ações na estréia. A prática foi tão comum que Bovespa Holding e BM&F contaram com políticas anti-flippers, na tentativa de barrar a participação destes investidores.

A operação pode se mostrar vantajosa, porém, apresenta risco, já que a possível direção da variação do preço do papel no primeiro dia de negócios, em tese, é incerta. Será que a aposta nesta estratégia em 2007 foi vitoriosa?


Falando em números

Alguns IPOs proporcionaram ganhos poucas vezes visto. O melhor exemplo é a Bovespa Holding, que, além de generoso rateio, no qual os investidores de varejo levaram pouco mais de R$ 12 mil em ações, só no primeiro dia de negócios teve valorização de 52,13%.

Na contrapartida, os papéis de Agrenco e JBS-Friboi se destacam pela forte queda na estréia, de respectivamente 14,23% e 12,50%. No total, foram 18 papéis com fechamento no negativo, 9 no mesmo preço fixado no procedimento de bookbuilding e os 37 restantes com ganhos no encerramento do primeiro pregão na Bovespa.

Considerando a valorização média de todas estas operações, um investidor que adquiriu R$ 5 mil em ações por operação conseguiu lucrar (caso tenha participado de todos os IPOs com este montante e vendido suas ações no fechamento do primeiro dia de negociações), em média, R$ 240,00 por transação.

Em 2006, esta operação se mostrou mais rentável: a média de ganhos entre os 26 IPOs realizados no ano passado foi de 6,77%. No exemplo acima descrito, de um investimento de R$ 5 mil em cada uma destas ofertas de ações, o retorno médio foi de cerca de R$ 338,50.

Mercado seletivo

Uma das explicações mais escutadas no mercado para este menor retorno médio é a maior seletividade dos investidores. A ampla gama de novas opções trouxe uma maior preocupação no que diz respeito aos fundamentos da empresa e suas preocupações com as práticas de governança corporativa.

Antes de entrar na oferta, o investidor procurou fazer sua lição de casa e verificar se o preço cobrado por ação era justo. Assim, para aqueles com perfil de curto prazo, segue a dica: junto ao prospecto destas ofertas, cabe uma análise fundamentalista mais detalhada das empresas que estão ingressando na Bovespa.

terça-feira, 18 de dezembro de 2007

IPO da Tempo Participações (TEMP3) - Precificação

De acordo com notícia do Infomoney, as ações da Tempo Participações foram precificadas abaixo do intervalo esperado, em R$ 7,00.

Recentemente, isto aconteceu com o Banco Panamericano e com a LAEP Investiments (Parmalat).

No caso do Panamericano, as ações passaram a maior parte do dia em alta, mas fecharam estáveis.

Já a LAEP abriu em baixa, passou para o campo positivo e fechou com ligeira alta.

Portanto, esta precificação baixa não diz muita coisa a respeito do seu comportamento no pregão inicial.

Boa sorte aos comprados!

sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

IPO da Tempo Participações

Ia fazer a análise com mais calma no fim de semana, mas só hoje descobri que o período de reserva se encerra hoje.

A Tempo Participações reúne empresas do segmento de saúde, com venda de planos de saúde (Gama Saúde e Connectmed-CRC), planos odontológicos (Gama Odonto) e serviços especializados (USS).

Os resultados financeiros da companhia são apresentados de forma segmentada. Os dados de 2006 foram:

Planos de Saúde
Receita Líquida = R$ 262,8 milhões
Lucro Líquido = R$ 4,0 milhões

Planos Odontológicos
Receita Líquida = R$ 20,5 milhões
Lucro Líquido = R$ 1,6 milhões

Assistência Especializada
Receita Líquida = R$ 206,8 milhões
Lucro Líquido = R$ 8,7 milhões

Totalizando, temos uma receita líquida de R$ 490,1 e um lucro líquido de R$ 14,3 milhões. Com isto, temos uma margem de 2,9%.

Comparando com alguns de seus concorrentes na Bolsa:
Medial Saúde (MEDI3) = Margem de 0,7%
OdontoPrev (ODPV3) = Margem de 9,2%

A empresa ofertará no IPO 56.250.000 ações. Dividindo o lucro pela quantidade de ações, temos um LPA de 0,1546. Considerando o centro da margem de preços (R$ 9,25), temos um P/LPA de 59,83. Se compararmos com seus concorrentes, vemos que ela está cara, uma vez que o mesmo indicador para a Medial (MEDI3) e OdontoPrev (ODPV3) valem 36,77 e 35,66.

Assim sendo, vou deixar este IPO passar em branco.

sábado, 24 de novembro de 2007

IPO da BM&F

Depois de todo o barulho causado pelo IPO da BOVESPA Holding, chegou a hora da BM&F abrir seu capital. Pela atuação no mesmo segmento e pela proximidade dos IPO's, as comparações entre as ofertas se tornam inevitáveis.

Em alguns aspectos, a BM&F pode ser mais promissora do que a BOVESPA, uma vez que a BM&F é atualmente a quarta maior bolsa de futuros do mundo, enquanto a BOVESPA é a 15ª em soma de valor de mercado das companhias listadas. Para um futuro próximo, espera-se que a BM&F torne-se a principal Bolsa mundial para os contratos de etanol, o que aumentaria a importância da BM&F no mercado de futuros.

Vou colaborar com todo esse burburinho e colocar um pouco mais de lenha na fogueira. Vou utilizar o valor de fechamento da estréia da BOVH3 (34,71) para efetuar o cálculo dos indicadores abaixo e fazer uma projeção para a BMEF3, caso ela repita o desempenho.

  • P/LPA (Preço / Lucro por Ação) - Compara o preço da ação com o lucro por ação obtido nos últimos 12 meses.
  • P/VPA (Preço / Valor Patrimonial da Ação) - Compara o preço da ação com o valor patrimonial por ação, obtido do balanço patrimonial.

Quem quiser me acompanhar, pode obter os prospectos na CVM. Este é o link para BOVESPA Holding, e este é o link para BM&F. Ao invés de utilizar os últimos 12 meses, vou comparar sempre com os resultados obtidos em 2006.

Feitas as considerações iniciais, mãos à obra:

Temos algumas informações que serão utilizadas em mais de um indicador, portanto vou apontá-las logo no início:

BOVESPA HOLDING

  • Quantidade de ações ofertadas: 250.492.283 (primeira página do prospecto)
  • Quantidade total de ações: 705.275.264 (página 40 do prospecto)
  • Lucro Líquido "pro forma" em 2006: R$ 199,2 milhões (página 18 do prospecto)
  • Patrimônio Líquido em 2006: R$ 1,225 bilhão (página 29 do prospecto)

BM&F

  • Quantidade de ações ofertadas: 260.160.736 (primeira página do prospecto)
  • Quantidade total de ações: 901.877.292 (página 36 do prospecto)
  • Lucro Líquido "pro forma" em 2006: R$ 197,2 milhões (página 14 do prospecto)
  • Patrimônio Líquido em 2006: R$ 1,055 bilhão (página 97 do prospecto)

P/LPA Vamos calcular o P/LPA da BOVH3, considerando o valor de fechamento do primeiro dia (34,71):

Para obter o LPA, temos que dividir o lucro pela quantidade de ações. Assim obtemos o LPA = 0,2824. Agora, dividimos o valor de fechamento no primeiro dia pelo LPA e obtemos P/LPA = 122,91.

Aplicando a mesma regra para a BMEF3, obtemos o LPA = 0,2186. Para obter o mesmo P/LPA, a BM&F deverá fechar cotada a 26,86.

Esta valorização está 63% acima da faixa superior da oferta.

P/VPA Agora, vamos calcular o P/VPA da BOVH3, considerando o fechamento de seu primeiro dia de negociação:

Para obter o VPA, temos que dividir o Patrimônio Líquido pela quantidade de ações. Assim obtemos o VPA = 1,7370. Agora, dividimos o valor de fechamento do pregão inicial pelo VPA e obtemos P/VPA = 19,98.

Com a mesma regra, o VPA da BMEF3 é igual a 1,1706. Para obter o mesmo P/VPA, o papel deverá fechar seu primeiro dia de negociação cotado a 23,38. Este valor é 42% maior que o limite superior da faixa estimada.

Comparando com seus parceiros internacionais, podemos traçar as seguintes projeções:

CME - Chicago Mercantile Exchange (1ª colocada no ranking de bolsas futuras)

  • P/LPA - O valor deste indicador para o CME é de 45,32. Para igualar esta marca, a BM&F precisa fechar cotada a R$ 9,90. Isto representa uma desvalorização de impressionantes 40%. Vale lembrar que recentemente a CME comprou 10% das ações da BM&F a um valor de R$ 1,3 bilhões. Isto representa cerca de R$ 14,40 por ação.

Euronext (3ª colocada no ranking de bolsas futuras)

  • P/LPA - O valor deste indicador para a Euronext é de 35,88. Para igualar esta marca, a BM&F precisa fechar cotada a R$ 7,84. Isto representaria uma desvalorização de 47% em relação ao limite superior da faixa de preços.

Nymex (5ª colocada no ranking de bolsas futuras)

  • P/LPA - O valor deste indicador para a Nymex é de 58,90. Para igualar esta marca, a BM&F precisa fechar cotada a R$ 12,87, representando uma desvalorização de 22% em relação ao topo da faixa de preços.

A comparação com seus pares internacionais nos leva a crer que a BM&F está cara em relação às suas concorrentes internacionais. Olhando por este aspecto, é difícil que esta ação tenha o mesmo desempenho que a BOVESPA Holding.

Eu tenho uma visão bem conservadora a respeito: qualquer 5% já me deixa feliz pelo resto do ano. Até porque não podemos nos esquecer de algumas coisas como:

  • O desempenho do IBOV neste mês é de -7,14%
  • As aplicações em renda fixa rendem menos de 1% ao mês. Em outubro, a melhor opção do Bradesco (FIC Referenciado DI Federal Plus, com investimento inicial de R$ 200 mil), rendeu 0,92%.

Desta forma, pretendo participar do IPO, mas sem a ilusão de ganhos incríveis como na BOVH3. Se eles vierem, será, literalmente, lucro.